Tropkillaz conquista o K-Pop mantendo a identidade brasileira

Tropkillaz tornou-se um dos nomes brasileiros mais importantes dentro da indústria do K-pop. Descubra como Laudz e Zegon conquistaram Seul, trabalharam com Lisa, NCT, TXT e LE SSERAFIM e levaram a música brasileira para o mercado asiático.

Tropkillaz em estúdio durante trabalhos com artistas da indústria do K-pop
Tropkillaz em estúdio durante trabalhos com artistas da indústria do K-pop

Billboard Brasil destaca ascensão do Tropkillaz dentro da indústria do K-pop

Uma matéria publicada recentemente pela Billboard Brasil mostrou um dos movimentos mais interessantes da música internacional envolvendo artistas brasileiros nos últimos anos. O duo Tropkillaz, formado por Laudz e Zegon, tornou-se uma presença cada vez mais constante dentro da indústria do K-pop, trabalhando diretamente com alguns dos maiores nomes do mercado asiático sem abrir mão da identidade musical que os transformou em referência mundial.

A reportagem assinada pela jornalista Isabela Pacilio revela detalhes dos bastidores da relação construída entre os produtores brasileiros e algumas das principais gravadoras da Coreia do Sul, além de mostrar como uma trajetória iniciada dentro do funk, hip-hop e música eletrónica brasileira acabou atravessando continentes até chegar aos estúdios mais importantes de Seul.

Hoje, quando se fala em produtores brasileiros com impacto global, o Tropkillaz aparece entre os primeiros nomes da lista. A dupla conseguiu algo raro: conquistar espaço numa das indústrias musicais mais competitivas do planeta sem precisar adaptar completamente a sua identidade artística.

Quem são os Tropkillaz?

Para entender a importância desta conquista, é preciso olhar para a história do projeto.

O Tropkillaz nasceu da união entre dois nomes já conhecidos da cena musical brasileira: Laudz e Zegon.

Antes mesmo da formação oficial da dupla, ambos já possuíam carreiras relevantes dentro da produção musical.

Zegon construiu uma reputação sólida como DJ e produtor, trabalhando durante anos com diferentes vertentes da música eletrónica e urbana. Já Laudz desenvolveu uma forte ligação com a produção de beats e com a cultura hip-hop, tornando-se um dos nomes mais respeitados da sua geração.

Quando decidiram unir forças, o objetivo era criar um som que misturasse referências brasileiras com tendências internacionais.

O resultado foi um projeto capaz de circular naturalmente entre o rap, trap, funk, música eletrónica e pop.

Com o passar dos anos, o Tropkillaz tornou-se uma verdadeira marca global.

O impacto dos Tropkillaz na música brasileira

Muito antes de entrar no universo do K-pop, a dupla já era responsável por alguns dos trabalhos mais importantes da música urbana brasileira.

Ao longo da carreira, os produtores colaboraram com nomes como:

  • Anitta

  • MC Kevinho

  • Ludmilla

  • Emicida

  • Projota

  • Rashid

  • Djonga

  • Kevin O Chris

Além disso, ajudaram a construir pontes entre o mercado brasileiro e artistas internacionais.

O grande diferencial sempre foi a capacidade de transformar elementos tipicamente brasileiros em algo universal.

Essa característica seria justamente o fator que mais tarde despertaria o interesse do mercado asiático.

O primeiro contacto com o K-pop

Segundo a reportagem da Billboard Brasil, o primeiro passo nessa relação aconteceu através de uma ferramenta utilizada diariamente por produtores do mundo inteiro.

A plataforma Splice permite que músicos disponibilizem bibliotecas de sons, loops e samples para outros criadores utilizarem nos seus projetos.

O Tropkillaz tornou-se uma das referências mais populares dentro da plataforma.

De acordo com Laudz, produtores de diferentes países frequentemente reconhecem a dupla pelos conteúdos disponibilizados no Splice.

O que começou como uma forma de distribuir sons acabou transformando-se numa poderosa ferramenta de divulgação internacional.

Foi justamente através desse ecossistema que surgiu a ligação inicial com o K-pop.

Como "Lalisa" abriu as portas da Coreia

A Billboard Brasil destaca que um momento decisivo aconteceu em 2021.

Loops produzidos pelo Tropkillaz foram utilizados em "Lalisa", o primeiro single solo de Lisa, integrante do grupo BLACKPINK.

O lançamento tornou-se um fenómeno global.

Com milhões de reproduções acumuladas em poucas horas, a música colocou os produtores brasileiros no radar de compositores, gravadoras e executivos da indústria coreana.

A partir desse momento, começaram a surgir convites para camps de produção.

Esses encontros reúnem compositores e produtores de diferentes países para criar músicas destinadas a futuros lançamentos de artistas de K-pop.

Para muitos profissionais da música, participar desses camps representa uma das maiores oportunidades dentro do mercado internacional.

Trabalhos com gigantes da indústria coreana

O crescimento da relação entre Tropkillaz e o K-pop aconteceu de forma gradual.

Com o passar dos anos, a dupla acumulou créditos em lançamentos de artistas extremamente populares.

Entre os nomes mencionados pela Billboard Brasil estão:

  • NCT

  • TXT

  • LE SSERAFIM

  • Lisa

Trata-se de alguns dos grupos e artistas mais relevantes da atualidade dentro do mercado asiático.

O K-pop tornou-se um fenómeno global que movimenta bilhões de dólares anualmente.

Conquistar espaço nesse ambiente exige muito mais do que talento.

É necessário compreender métodos de trabalho, processos criativos e padrões de qualidade extremamente exigentes.

O retorno à parceria com Lisa

Outro destaque da reportagem foi a confirmação de que a colaboração entre Tropkillaz e Lisa continuou mesmo após o sucesso de "Lalisa".

Em 2026, a cantora voltou a trabalhar com a dupla na faixa "GOALS".

A continuidade dessa relação demonstra a confiança construída ao longo dos anos.

No mercado musical internacional, especialmente no K-pop, relações profissionais duradouras costumam surgir apenas quando existe um elevado nível de satisfação entre todas as partes envolvidas.

Como funciona a produção dentro do K-pop

Um dos pontos mais interessantes da entrevista publicada pela Billboard Brasil diz respeito aos bastidores da produção musical na Coreia do Sul.

Segundo Zegon, a organização das gravadoras coreanas impressiona até profissionais experientes.

Enquanto muitos mercados trabalham de forma mais flexível, o K-pop é conhecido pelos seus processos altamente estruturados.

Os produtores recebem documentos detalhados contendo orientações específicas para cada projeto.

Em alguns casos, os feedbacks enviados pelas gravadoras chegam a dezenas de páginas.

A ideia é garantir que cada detalhe esteja alinhado com a visão artística do grupo e com a estratégia de lançamento definida pela empresa.

A diferença entre o mercado brasileiro e o mercado coreano

O relato dos Tropkillaz evidencia diferenças importantes entre os dois mercados.

No Brasil, muitas produções nascem de forma espontânea, com artistas e produtores desenvolvendo ideias diretamente dentro do estúdio.

Na Coreia do Sul, o processo costuma ser muito mais planeado.

As gravadoras trabalham com equipas enormes, envolvendo produtores, compositores, diretores criativos, especialistas em marketing e executivos responsáveis pela estratégia global dos artistas.

Essa estrutura faz com que cada lançamento seja tratado como um projeto de grande escala.

O episódio do aniversário de Yunjin

A matéria da Billboard Brasil também revelou uma história curiosa vivida pela dupla durante uma viagem aos Estados Unidos.

Em outubro do ano passado, Laudz e Zegon chegaram diretamente do aeroporto para uma sessão de produção.

Ao entrar no estúdio, encontraram uma situação inesperada.

Além da gravação, estava acontecendo uma festa de aniversário para Yunjin, integrante do LE SSERAFIM.

Segundo Laudz, houve bolo, celebração e gravações do momento.

O produtor destacou ainda a simpatia da artista e o envolvimento dela com o processo criativo da música que estava sendo desenvolvida naquele dia.

A história mostra como os produtores brasileiros passaram a integrar ambientes reservados aos principais nomes do entretenimento asiático.

A importância da identidade brasileira

Talvez o ponto mais importante de toda a reportagem esteja no próprio título da matéria da Billboard Brasil.

O Tropkillaz conquistou espaço dentro do K-pop sem abandonar as suas raízes.

Ao invés de tentar reproduzir fórmulas já existentes na Coreia, a dupla levou para os estúdios internacionais elementos inspirados pela música urbana brasileira.

Essa autenticidade tornou-se um diferencial competitivo.

O mercado global procura constantemente novas referências sonoras.

Nesse contexto, produtores capazes de apresentar algo original possuem maior capacidade de se destacar.

O Brasil como exportador de talentos

Durante muitos anos, o Brasil foi visto principalmente como um consumidor de tendências internacionais.

Nos últimos anos, esse cenário mudou drasticamente.

Hoje, produtores brasileiros participam de projetos em praticamente todos os continentes.

O crescimento do funk brasileiro, do trap nacional e da música eletrónica ajudou a colocar o país numa posição de destaque dentro da indústria global.

O caso do Tropkillaz representa perfeitamente essa transformação.

A dupla não chegou ao K-pop por acaso.

A trajetória é resultado de anos de trabalho, inovação e construção de reputação internacional.

O futuro da relação entre Brasil e Coreia do Sul

A presença cada vez maior de produtores brasileiros dentro do K-pop pode abrir portas para muitos outros profissionais.

À medida que artistas coreanos procuram novas influências musicais, cresce também o interesse por sonoridades vindas da América Latina.

O Brasil possui uma das culturas musicais mais ricas do planeta.

Isso cria inúmeras oportunidades para futuras colaborações.

O sucesso do Tropkillaz demonstra que existe espaço para produtores brasileiros atuarem em mercados considerados praticamente inacessíveis há alguns anos.

Um exemplo de alcance global

A reportagem da Billboard Brasil mostra que o Tropkillaz se tornou muito mais do que uma dupla de produtores.

Hoje, o projeto representa um exemplo de como a música brasileira pode ultrapassar fronteiras sem perder a própria identidade.

Do funk ao hip-hop, da música eletrónica ao K-pop, Laudz e Zegon construíram uma carreira baseada na inovação e na capacidade de dialogar com diferentes culturas.

Ao trabalhar com artistas como Lisa, NCT, TXT e LE SSERAFIM, a dupla consolida o seu nome entre os produtores brasileiros mais influentes da atualidade.

E, ao que tudo indica, esta relação com a Coreia do Sul está apenas a começar.

A matéria da Billboard Brasil reforça uma realidade cada vez mais evidente: o som produzido no Brasil já não acompanha tendências globais apenas à distância. Em muitos casos, está ajudando a criá-las.

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